Aula 06: O papel do conselheiro cristão

Aula 06: O papel do conselheiro cristão

Introdução:

O aconselhamento cristão é um ministério de vital importância para a Igreja, pois visa auxiliar indivíduos a enfrentarem seus desafios e crescerem em sua jornada espiritual. Contudo, para que este processo seja eficaz, é imprescindível que o conselheiro compreenda claramente seu papel e suas responsabilidades. Infelizmente, não é incomum observarmos situações em que a falta de discernimento neste aspecto compromete a eficácia do aconselhamento.

Nesta aula, exploraremos as principais áreas onde a confusão de papéis pode ocorrer no contexto do aconselhamento cristão. Analisaremos a dicotomia entre desrespeito e compreensão, preconceito e imparcialidade, bem como a tendência de alguns conselheiros em dar ordens em vez de explicar. Além disso, discutiremos a tênue fronteira entre o envolvimento emocional e a objetividade, e a importância de se manter realista quanto ao progresso dos aconselhados.

Ao final desta exposição, esperamos que os participantes estejam aptos a identificar e evitar as armadilhas que podem surgir no desempenho do papel de conselheiro cristão. Através de uma compreensão mais profunda das responsabilidades e limites desta função, almejamos capacitar os conselheiros a exercerem seu ministério com maior eficácia, contribuindo assim para o crescimento e restauração daqueles que buscam auxílio espiritual.

Parte 1: Desrespeito vs. Compreensão

Um dos erros mais comuns cometidos por conselheiros cristãos é o de rotular rapidamente os aconselhados com base em impressões superficiais ou informações limitadas. Expressões como “cristão carnal”, “solteirão despreocupado” ou “crente descompromissado” são frequentemente utilizadas de maneira precipitada, sem uma compreensão mais profunda da situação e do contexto em que o indivíduo se encontra.

Tal postura de desrespeito pode levar a confrontações rápidas e inflexíveis, onde o conselheiro dispensa o aconselhado sem oferecer uma orientação adequada ou a oportunidade de um diálogo construtivo. Esta abordagem não apenas falha em demonstrar o amor e a compaixão que deveriam caracterizar o ministério cristão, mas também tende a ser ineficaz no processo de aconselhamento.

É fundamental compreender que ninguém aprecia ser tratado com desrespeito, especialmente quando se encontra em uma posição de vulnerabilidade, buscando auxílio para suas lutas pessoais. Quando o conselheiro não se mostra compreensivo e empático, é pouco provável que o aconselhado apresente alguma melhora significativa em sua jornada.

Ao invés de fazer julgamentos apressados, o conselheiro cristão deve se esforçar para compreender a perspectiva do aconselhado, buscando enxergar além das aparências e das primeiras impressões. Isto requer um espírito de humildade, paciência e disposição para ouvir atentamente, sem impor suas próprias opiniões ou soluções pré-concebidas.

Através de uma postura de compreensão e respeito, o conselheiro cria um ambiente seguro e acolhedor, onde o aconselhado se sente à vontade para compartilhar suas lutas e receber orientação. Esta abordagem não apenas reflete o caráter de Cristo, mas também estabelece uma base sólida para um aconselhamento eficaz, capaz de promover crescimento e transformação na vida do indivíduo.

Parte 2: Preconceito vs. Imparcialidade

No processo de aconselhamento cristão, é inevitável que o conselheiro se depare com situações em que o aconselhado esteja envolvido em pecado ou apresentando comportamentos inadequados. Nesses momentos, é necessário abordar a questão com sabedoria e discernimento, buscando um equilíbrio entre a confrontação e a imparcialidade.

Alguns conselheiros, no entanto, acabam adotando uma postura de preconceito, condenando o aconselhado ou transformando a sessão de aconselhamento em um sermão moralista. Essa abordagem não apenas é ineficaz, mas também pode ser prejudicial, levando o aconselhado a se sentir atacado e desmotivado a buscar ajuda.

Quando os aconselhados percebem que estão sendo julgados ou condenados, é comum que reajam de três maneiras distintas. Alguns podem adotar uma postura defensiva, respondendo com agressividade e resistência às orientações do conselheiro. Outros podem se mostrar resignados, questionando a eficácia do processo de aconselhamento e perdendo a motivação para continuar. Há ainda aqueles que permanecem no aconselhamento temporariamente, mas de má vontade, sem um real compromisso com a mudança.

Nenhuma dessas reações contribui para o crescimento e a transformação do aconselhado. Pelo contrário, elas são reflexo de uma técnica de aconselhamento falha, que muitas vezes reflete a ansiedade, a incerteza e o desejo de poder do próprio conselheiro.

Jesus, o maior conselheiro de todos os tempos, nos dá o exemplo perfeito de como lidar com o pecado sem comprometer a imparcialidade. Ele nunca fez vista grossa para o pecado, mas sempre demonstrou bondade e respeito pelos pecadores, especialmente aqueles que desejavam se arrepender e mudar de vida. Seu encontro com a mulher samaritana é um exemplo claro dessa abordagem.

O conselheiro cristão deve seguir o exemplo de Cristo, buscando um equilíbrio entre a confrontação do pecado e a demonstração de amor e compaixão. Isso requer uma postura de imparcialidade, evitando julgamentos precipitados e condenações, e buscando compreender a situação do aconselhado de maneira objetiva e compassiva.

Ao adotar essa postura, o conselheiro cria um ambiente propício para que o aconselhado se sinta acolhido e motivado a enfrentar seus desafios, sabendo que conta com o apoio e a orientação de alguém que o vê como um ser humano digno de respeito e compaixão, independentemente de suas falhas e pecados.

Parte 3: Dar Ordens vs. Explicar

Outro erro comum cometido por conselheiros cristãos é o de dar ordens aos aconselhados, ao invés de explicar os princípios bíblicos e orientá-los em sua aplicação prática. Essa postura autoritária pode ser um reflexo inconsciente do desejo do conselheiro de dominar e exercer controle sobre a situação, mas acaba sendo contraproducente no processo de aconselhamento.

Quando os aconselhados recebem instruções diretas sobre o que devem fazer, sem uma explicação adequada do raciocínio por trás dessas orientações, eles podem acabar confundindo a opinião do conselheiro com a vontade de Deus. Isso gera um sentimento de culpa e até mesmo de incompetência quando não conseguem seguir à risca o conselho recebido, prejudicando seu crescimento espiritual e sua capacidade de tomar decisões maduras e autônomas.

O papel do conselheiro cristão não é o de ditar regras, mas sim o de atuar como um professor e treinador, trabalhando em parceria com o aconselhado para ajudá-lo a compreender e aplicar os princípios bíblicos em sua vida. Isso requer paciência, sabedoria e habilidade para explicar conceitos complexos de maneira clara e acessível, levando em consideração o contexto e as necessidades específicas de cada indivíduo.

Ao adotar uma abordagem explicativa, o conselheiro capacita o aconselhado a desenvolver discernimento espiritual e a tomar decisões baseadas em uma compreensão sólida da Palavra de Deus. Com o tempo, o objetivo é que o aconselhado se torne cada vez mais maduro e independente, capaz de enfrentar seus desafios e tomar decisões sábias sem a necessidade constante de orientação externa.

Parte 4: Envolvimento Emocional vs. Objetividade

Um dos desafios mais delicados no aconselhamento cristão é encontrar o equilíbrio entre o envolvimento emocional e a objetividade. É natural que o conselheiro se preocupe com o bem-estar do aconselhado e deseje demonstrar empatia e compaixão, mas existe uma fronteira tênue entre ser carinhoso e se envolver emocionalmente a ponto de comprometer a eficácia do aconselhamento.

Esse risco é particularmente alto quando o aconselhado está passando por problemas muito perturbadores ou quando o conselheiro está enfrentando desafios semelhantes em sua própria vida. Nesses casos, o excesso de envolvimento emocional pode levar o conselheiro a perder a objetividade necessária para oferecer orientações claras e imparciais.

Embora seja difícil estabelecer limites rígidos, é importante que o conselheiro cristão encare o aconselhamento como uma relação de assistência profissional e ministerial, com certas restrições que visam preservar a objetividade. Isso pode incluir a limitação do número de sessões, a definição de horários específicos para os encontros e até mesmo a interrupção do aconselhamento caso seja necessário.

Essas medidas não têm o objetivo de criar distância entre o conselheiro e o aconselhado, mas sim de garantir que o conselheiro mantenha a clareza de pensamento e a imparcialidade necessárias para oferecer um auxílio efetivo. Ao estabelecer limites saudáveis, o conselheiro demonstra maturidade emocional e compromisso com o bem-estar do aconselhado, colocando as necessidades deste acima de seus próprios sentimentos e desejos.

Parte 5: Impaciência vs. Realismo

Por fim, é comum que conselheiros cristãos se sintam desanimados e frustrados quando não percebem um progresso imediato nos aconselhados. No entanto, é fundamental lembrar que a maioria dos problemas leva tempo para se desenvolver e, portanto, não é realista esperar que eles desapareçam rapidamente apenas por causa das intervenções do conselheiro.

Mudanças instantâneas de comportamento e pensamento são raras, e pressupor que elas ocorrerão como resultado direto do aconselhamento é uma postura ingênua e impaciente. Na maioria dos casos, é necessário um processo gradual e consistente de transformação, no qual o aconselhado abandona aos poucos seus padrões antigos e inadequados, substituindo-os por novos hábitos e formas de pensar alinhados com os princípios bíblicos.

O conselheiro cristão deve cultivar uma atitude de paciência e realismo, compreendendo que seu papel é o de orientar e encorajar o aconselhado ao longo dessa jornada, sem exigir resultados imediatos ou impor expectativas irrealistas. Isso requer sabedoria para discernir os pequenos avanços e celebrá-los, mesmo quando o progresso parece lento ou imperceptível.

Ao adotar uma postura realista e paciente, o conselheiro transmite confiança e segurança ao aconselhado, demonstrando que está comprometido em acompanhá-lo durante todo o processo de crescimento e transformação, independentemente do tempo que isso possa levar. Essa abordagem não apenas fortalece o vínculo entre conselheiro e aconselhado, mas também reflete a própria natureza do crescimento espiritual, que é um caminho de aprendizado e amadurecimento contínuo ao longo da vida.

Conclusão:

Nesta aula, exploramos as principais áreas onde a confusão de papéis pode ocorrer no contexto do aconselhamento cristão, destacando a importância de o conselheiro compreender claramente suas responsabilidades e limites para exercer um ministério eficaz.

Vimos que é fundamental evitar posturas de desrespeito, preconceito, autoritarismo e impaciência, buscando sempre cultivar a compreensão, a imparcialidade, a capacidade de explicar e o realismo no trato com os aconselhados. Ao adotar essas atitudes, o conselheiro cria um ambiente propício para o crescimento e a transformação, refletindo o caráter de Cristo e contribuindo para a restauração daqueles que buscam auxílio espiritual.

Esperamos que os conceitos abordados nesta aula tenham contribuído para o aprimoramento do seu entendimento sobre o papel do conselheiro cristão. Lembramos que este é um tema vasto e complexo, que requer estudo contínuo e aprofundamento. Por isso, convidamos você a se inscrever em nosso canal e adquirir nossa apostila sobre aconselhamento cristão, onde esses assuntos são tratados com ainda mais profundidade e detalhes.

Que Deus abençoe seu ministério e o capacite cada vez mais para ser um instrumento de cura, crescimento e transformação na vida daqueles que Ele colocar sob seus cuidados.