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Reconhecer e vencer a inveja – Parte 01
Gênesis 4.1-7; Salmo 37.1-5; Provérbios 14.30
O Novo Dicionário Aurélio define inveja como “desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem” ou ainda como “desejo violento de possuir bem alheio”.
Entre os estudos dessa série de lições de nossa revista, este, que trata da inveja, é um pouco diferente. Alinha geral adotada nas questões relacionadas a aconselhamento cristão caminha desde possíveis práticas pecaminosas até os problemas pessoais que requerem o aconselhamento. No caso de inveja, o caminho oposto é o que geralmente pode ser encontrado: problemas pessoais que vão se agravando e dando lugar ao pecado. Inveja é evidentemente uma atitude pecaminosa!
Outra marca desta lição em relação à série, que é baseada no trabalho de Gary Collins, é que o tema específico inveja não está mencionado entre os problemas a serem tratados em aconselhamento. Seguimos, então, beneficiando-nos das idéias básicas de seu trabalho, porém com certa autonomia extra. Isso nos dá a liberdade nesta lição para buscar textos bíblicos com a finalidade de destacarmos três exemplos e áreas em que, lamentavelmente, a inveja acontece.
Inveja em família: Caim (Gn 4.1-16)
A família é o ambiente em que mais vivemos durante os primeiros anos de nossa vida, consequentemente é natural que nossos primeiros grandes problemas também aconteçam ali. As dificuldades que ocorrem no relacionamento entre irmãos são muitas e marcam muitas pessoas. Talvez a maior luta esteja exatamente relacionada a disputas, diferenças de oportunidades (ou de habilidade para aproveitá-las). A crise na família de Adão é um bom exemplo de inúmeros dramas familiares na história da humanidade.
O resumo dos fatos é simples: Abel fez uma oferta aceitável ao Senhor, enquanto a oferta de Caim foi rejeitada. Isso trouxe profunda tristeza ao coração de Caim (Gn 4.2-5). Ele foi tomado por tamanha inveja que acabou por assassinar seu irmão. Entre a “concepção” do pecado e a prática de homicídio se deu algo realmente extraordinário, pois o próprio Senhor Deus foi ao encontro de Caim para adverti-lo do perigo iminente: “o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7).
Um pecado com grande poder de dominação
Apalavra de advertência do Senhor “O seu desejo será contra ti” evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação.
O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. O mesmo padrão de comportamento foi adotado depois na história dos patriarcas, aos quais Estêvão chamou de “invejosos”, que venderam José para o Egito. Mas “Deus estava com ele e livrou-o de todas as suas aflições” (At 7.9-10).
Um pecado que pode ser dominado
O conselheiro que visita Caim é o próprio Senhor Deus “mas a ti cumpre dominá-lo”. Esse “maravilhoso conselheiro” tem uma informação preciosa para a pessoa envolvida na atitude de inveja: é possível controlar esse desejo indômito produzido pela inveja, e é tarefa humana (minha e sua!) controlar essa situação.
É muito importante que a pessoa acometida por inveja entenda o valor do seu papel na solução do problema. Ela precisa arrepender-se. Ela precisa ser ajudada a encontrar os motivos que a levaram a esse sentimento para poder superar os problemas e encontrar caminho de vitória. Não se trata de culpar os outros ou de julgar-se incapaz, mas de tomar para si a responsabilidade e, com a graça de Deus (e ajuda de alguém, quando necessário), encontrar o caminho mais adequado.
Aplicação
No caso de Caim, ele fez a opção errada, chegando ao absurdo de matar seu próprio irmão. A consequência do ato foi o juízo de Deus sobre ele.