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Sermão para o natal: A história de um Rei Humilde: O Nascimento de Cristo

Texto Bíblico Base: Filipenses 2:5-11; Lucas 2:11-12

Introdução:

No coração da fé cristã, encontramos um paradoxo surpreendente: a divindade manifestada na mais profunda humildade. Este paradoxo é brilhantemente capturado na epístola de Paulo aos Filipenses, especificamente em 2:5-11, uma passagem que nos convida a mergulhar nas profundezas da natureza de Cristo e de Seu ato redentor. Aqui, Paulo não apenas nos apresenta Jesus como o Filho de Deus, mas também como o exemplo supremo de humildade e serviço.

Nesta reflexão de hoje, vamos explorar a relevância e o impacto dessa humildade, tanto na época de Cristo quanto em nosso contexto atual. A humildade de Cristo, conforme retratada por Paulo, desafia nossas percepções comuns de poder, autoridade e grandeza. Em um mundo onde essas qualidades são frequentemente associadas à força, controle e dominação, a abordagem de Jesus oferece uma perspectiva revolucionária.

Ao analisar Filipenses 2:5-11, confrontamo-nos com questões fundamentais sobre nossa própria natureza e a maneira como vivemos e interagimos com os outros. O exemplo de Jesus nos convida a reconsiderar o que valorizamos, como buscamos significado em nossas vidas e como tratamos aqueles ao nosso redor. Este estudo visa desvendar as ricas camadas de significado contidas nesta passagem, proporcionando insights valiosos para nossa jornada de fé e prática cristã.

Portanto, embarquemos nesta jornada de descoberta, permitindo que as palavras de Paulo a respeito da humildade de Cristo nos inspirem e nos transformem, guiando-nos em nosso caminho para viver uma vida mais alinhada com os princípios do Evangelho.

Objetivo: 

Explorar o significado do nascimento de Jesus como um ato de humildade divina e seu impacto na vida dos cristãos, incentivando uma atitude de humildade e serviço.

A Humildade de Cristo em Filipenses 2:5-11

A passagem de Filipenses 2:5-11 é considerada uma das mais eloquentes e profundas descrições teológicas sobre Jesus Cristo no Novo Testamento. Paulo, aqui, não apenas fala sobre a natureza divina de Cristo, mas destaca um aspecto revolucionário de sua divindade: a humildade.

A expressão “não considerou ser igual a Deus algo a ser usado para seu próprio benefício” merece uma análise detalhada. Neste contexto, Paulo não está negando a divindade de Cristo; pelo contrário, ele está afirmando que, apesar de possuir toda a natureza divina, Jesus optou por não se apegar a essa posição de igualdade com Deus de uma maneira que beneficiasse a Si mesmo. Essa atitude contrasta fortemente com a tendência humana de buscar status, poder e reconhecimento.

Mais impressionante ainda é o conceito de que Jesus “esvaziou-se”. Este “esvaziamento” (kenosis, em grego) é uma ideia teológica complexa. Não implica que Cristo tenha perdido sua divindade, mas sim que Ele voluntariamente restringiu sua glória divina, escolhendo nascer em circunstâncias humildes e viver uma vida de serviço e sacrifício. Jesus adotou a forma e a natureza de um servo, uma ideia quase impensável no contexto cultural e religioso da época, onde a servidão era vista como uma condição de baixo status e submissão.

Este ato de humildade de Cristo é radical e contraintuitivo, principalmente quando analisado à luz do contexto histórico e cultural do período. Na época, as divindades pagãs eram frequentemente retratadas como seres poderosos e dominadores, e a realeza era associada com autoridade inquestionável e majestade. Contra esse pano de fundo, a ideia de um Deus que voluntariamente se torna servo subverte as normas estabelecidas e desafia as percepções tradicionais de poder e grandeza.

Além disso, essa passagem reflete um princípio fundamental do cristianismo: o valor do sacrifício e do serviço ao próximo. O exemplo de Cristo não é apenas um modelo de humildade, mas também um convite para que seus seguidores adotem um estilo de vida que priorize o serviço e o amor altruísta, em contraposição ao egoísmo e à busca pelo poder.

Em resumo, Filipenses 2:5-11 não apenas nos apresenta uma visão profunda da natureza de Cristo, mas também oferece um modelo transformador de como devemos viver e interagir com os outros. A humildade de Cristo, expressa em sua encarnação e serviço, é um chamado para que reflitamos sobre nossos próprios valores e ações, inspirando-nos a buscar um caminho de empatia, serviço e amor genuíno.

João 1:1-14: Aqui, João descreve Jesus como a Palavra que se tornou carne. Esta passagem ressalta a ideia da encarnação, enfatizando que o divino entrou no mundo em uma forma humilde e acessível. Em Mateus 20:28: Jesus se descreve como alguém que veio para servir, não para ser servido, e para dar sua vida como resgate por muitos. Essa declaração reforça a noção de humildade e serviço como elementos centrais da missão de Cristo.

C.S. Lewis, em suas reflexões teológicas, frequentemente aborda a ideia da “grande inversão” no cristianismo. Essa ideia centraliza a noção de que, em muitos aspectos, o cristianismo confronta as expectativas e normas convencionais do mundo. Lewis argumenta que, enquanto a sociedade frequentemente valoriza o poder, o status e a autoridade, o cristianismo propõe um caminho diferente, caracterizado pela humildade, serviço e sacrifício.

Esta inversão é mais claramente ilustrada na pessoa de Jesus Cristo. Em muitas culturas e religiões, a divindade é vista como algo inatingível, distante e muitas vezes associada a poder e majestade. No entanto, no cristianismo, Deus escolhe entrar no mundo de uma maneira radicalmente humilde – nascendo em uma manjedoura, vivendo como um carpinteiro, e eventualmente morrendo em uma cruz.

Lewis vê nesta escolha um contraste profundo com as noções mundanas de grandeza. Enquanto os líderes e deuses de outras tradições podem buscar exaltação e domínio, o Deus cristão escolhe o caminho da empatia, vulnerabilidade e serviço. Esta “grande inversão” é um desafio direto às estruturas de poder e prestígio humanas.

Além disso, Lewis sugere que esta inversão não é apenas uma questão de estilo ou preferência, mas uma revelação profunda sobre a natureza da realidade e da verdadeira grandeza. Na visão de Lewis, o serviço humilde, longe de ser um sinal de fraqueza, é na verdade a marca da verdadeira força e autoridade.

Em “As Crônicas de Nárnia”, por exemplo, Lewis explora esses temas através da figura de Aslan, um leão que representa Cristo. Aslan não domina com força bruta, mas com amor, sacrifício e sabedoria. Esta representação simbólica reforça a mensagem de Lewis de que o poder verdadeiro e a autoridade genuína são encontrados na renúncia do próprio ego e no serviço aos outros.

Essas reflexões de C.S. Lewis sobre a “grande inversão” oferecem um desafio e uma inspiração para os cristãos contemporâneos. Em um mundo onde o poder e o status são frequentemente idolatrados, a humildade e o serviço de Cristo convidam os fiéis a reavaliar suas prioridades e a buscar uma forma de vida que reflita a verdadeira natureza de Deus.

Aplicações Práticas:

  • Praticar a Humildade no Dia a Dia: Inspirados pela humildade de Cristo, somos chamados a viver de maneira semelhante. Isso pode se manifestar em atos de serviço aos outros, na renúncia ao orgulho e na busca por compreender e atender às necessidades alheias.
  • Entender o Serviço como uma Forma de Adoração: O exemplo de Jesus nos ensina que servir aos outros é uma forma poderosa de adorar a Deus. Ao cuidar dos necessitados, ao ouvir com empatia e ao oferecer ajuda, estamos praticando a humildade de Cristo e, por extensão, adorando a Deus.

A humildade de Cristo, conforme ilustrada em Filipenses 2:5-11, desafia concepções comuns de poder e grandeza, oferecendo um modelo transformador de como viver e interagir com o mundo ao nosso redor. Ao incorporar essa humildade em nossas vidas, participamos da missão redentora de Cristo, refletindo sua luz e amor em um mundo que tanto necessita de exemplos de serviço genuíno e altruísmo.

A simplicidade do Nascimento em Belém: Lucas 2:11-12

A narrativa de Lucas 2:11-12 nos oferece uma perspectiva única e profundamente comovente sobre o nascimento de Jesus. Este trecho da Escritura não apenas relata um acontecimento histórico, mas também destila uma verdade teológica profunda sobre a natureza de Deus e sua relação com a humanidade.

O cenário do nascimento de Jesus é marcado por uma simplicidade extraordinária. Ele nasce em um estábulo, um lugar para animais, e não em um palácio ou em meio a riquezas. Este detalhe não é trivial; ele é carregado de simbolismo. Em muitas tradições religiosas, o nascimento de figuras divinas é cercado por ostentação e milagres. No entanto, a narrativa cristã escolhe um caminho diferente. Jesus, o Messias, entra no mundo não com fanfarra e espetáculo, mas em humildade e simplicidade.

Essa escolha do local de nascimento revela muito sobre a natureza de Deus conforme entendida no cristianismo. Deus escolhe se identificar não com os poderosos e privilegiados, mas com os humildes e marginalizados. O estábulo simboliza uma rejeição dos padrões mundanos de poder e prestígio. Jesus, o Rei dos reis, escolhe um lugar de humildade para marcar seu ingresso no mundo, um gesto que antecipa a natureza de seu ministério e ensino.

Além disso, esse cenário estabelece o tom para o ministério subsequente de Jesus. Sua vida e ensinamentos continuariam a enfatizar a importância da humildade, do serviço e do amor pelos “menores” da sociedade. O estábulo torna-se, portanto, um símbolo poderoso da missão de Jesus e um lembrete constante de que Deus frequentemente opera fora das expectativas humanas.

Portanto, Lucas 2:11-12 não é apenas uma descrição de um evento histórico; é uma janela através da qual podemos vislumbrar o coração de Deus. Ao escolher a simplicidade e a proximidade com os humildes como ponto de entrada no mundo, Deus demonstra uma preferência pelos pequenos e desprezados, e estabelece um modelo de humildade e serviço que desafia todos os que seguem a Cristo a repensar seus próprios valores e a maneira como vivem suas vidas.

A profecia em Isaías 9:6 é uma das mais claras e antecipatórias revelações messiânicas no Antigo Testamento. Aqui, Isaías fala da chegada de uma criança cujo nascimento não seria apenas um evento alegre, mas um acontecimento carregado de significado espiritual e redentor. Esta criança é descrita como portadora de títulos majestosos, como “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” O contraste é notável: um bebê, em toda a sua fragilidade e dependência, é proclamado como o portador de esperança e redenção para o povo. Esta profecia eleva o nascimento de um bebê, um evento comum na experiência humana, a um patamar de significado divino. Ela prenuncia a vinda do Messias de uma maneira que subverte as expectativas tradicionais de poder e autoridade. Ao invés de um conquistador ou um monarca imponente, o salvador é apresentado como uma criança, ressaltando o tema bíblico de poder na fraqueza e grandeza na humildade.

Em Miquéias 5:2, encontramos outra profecia messiânica que complementa a narrativa de humildade no nascimento de Jesus. Belém, descrita como “pequena entre as nações”, é designada como o local de nascimento do Messias. Este detalhe é significativo: Belém não era uma capital imponente ou um centro religioso de grande reputação. Era uma cidade pequena, quase insignificante no cenário geopolítico da época.

A escolha de Belém como local de nascimento do Messias sublinha a maneira como Deus opera frequentemente fora das expectativas e padrões humanos. Em vez de manifestar sua presença em locais de prestígio ou poder, Deus escolhe um lugar humilde e modesto. Essa escolha enfatiza a importância da humildade e sugere que a verdadeira grandeza muitas vezes emerge de origens modestas e inesperadas.

Essas correlações bíblicas – a profecia de Isaías sobre a criança que traz esperança e a escolha de Miquéias de Belém como local de nascimento do Messias – se entrelaçam para formar uma poderosa mensagem sobre a natureza do Reino de Deus. Elas nos ensinam que a humildade e a simplicidade são valores centrais no coração de Deus, e que a verdadeira redenção e grandeza muitas vezes se manifestam de maneiras surpreendentes e inesperadas.

Agostinho, um proeminente pensador e teólogo da igreja primitiva, dedicou grande parte de seu trabalho intelectual e espiritual para compreender a encarnação de Cristo. Sua reflexão sobre este tema não é apenas uma exploração teológica, mas também uma profunda meditação sobre a natureza de Deus e a relação entre o divino e o humano.

Para Agostinho, a encarnação de Cristo – o ato de Deus se tornar humano na figura de Jesus – é uma manifestação impressionante da humildade divina. Essa ideia vai além da mera redução do divino ao humano; ela representa uma escolha deliberada de Deus de se identificar totalmente com a humanidade. Ao escolher nascer em circunstâncias humildes, Deus não apenas expressa sua solidariedade com os pobres e marginalizados, mas também revela um desejo de experimentar todas as dimensões da vida humana.

Agostinho enfatiza que, através da encarnação, Deus não se limita a observar a condição humana de uma perspectiva distante. Em vez disso, Ele escolhe mergulhar plenamente na experiência humana, com todas as suas alegrias, tristezas, desafios e triunfos. Isso indica uma empatia e uma proximidade extraordinárias de Deus com a humanidade. Agostinho vê nisso um exemplo poderoso para os cristãos: assim como Deus escolheu se humilhar e se tornar próximo de nós, também devemos buscar a humildade e a empatia em nosso trato com os outros.

Além disso, Agostinho argumenta que a encarnação tem implicações profundas para a compreensão cristã de salvação e redenção. Ao tornar-se humano, Cristo não apenas ensina pelo exemplo, mas também abre um caminho para a reconciliação da humanidade com Deus. A humildade de Cristo na encarnação é vista como o início do processo de redenção, um ato de amor e misericórdia que culmina em sua morte e ressurreição.

Portanto, a reflexão de Agostinho sobre a encarnação de Cristo serve como uma ponte entre a teologia e a prática espiritual. Ela nos convida a reconhecer a humildade divina como um aspecto central da natureza de Deus e a incorporar essa humildade em nossas próprias vidas, buscando uma maior empatia e conexão com aqueles ao nosso redor.

Aplicações Práticas:

  • Valorizar as Pequenas Coisas: A história do nascimento de Jesus nos ensina a encontrar beleza e significado nas coisas simples e humildes da vida. Em um mundo que frequentemente busca o espetacular, somos chamados a apreciar e valorizar os momentos comuns e as pequenas bênçãos.
  • Ser Grato pelas Bênçãos Cotidianas: A gratidão é uma prática que nos ajuda a reconhecer a presença e a bondade de Deus em todas as circunstâncias. Ao lembrarmos do nascimento de Jesus, somos incentivados a cultivar um coração grato, reconhecendo e agradecendo pelas bênçãos diárias, sejam elas grandes ou pequenas.

Assim, a narrativa do nascimento de Jesus em Belém não é apenas uma história de começos humildes, mas um convite para reorientar nossa perspectiva de vida, buscando encontrar a presença divina nas pequenas coisas e vivendo com um espírito de gratidão e humildade.

Humildade e Grandeza: Uma Perspectiva Cristã

A relação entre a humildade de Cristo e sua grandeza desafia profundamente as concepções humanas tradicionais de poder e status. Este paradoxo, fundamental no cristianismo, não apenas subverte as normas estabelecidas, mas abre uma janela para o coração do próprio Deus e para o entendimento de como a grandeza verdadeira é definida e manifestada.

Em muitas culturas e sistemas de crenças, a grandeza é frequentemente associada com atributos como poder, autoridade, riqueza e influência. No entanto, a vida e o ministério de Cristo apresentam uma definição radicalmente diferente de grandeza. Cristo, sendo Deus, escolheu nascer em circunstâncias humildes, viver uma vida de serviço e morrer uma morte de sacrifício. Em cada etapa, Ele subverteu as expectativas de como um Messias ou um rei divino deveria agir.

Esta inversão começa com o próprio ato da encarnação. Deus se faz carne, não como um conquistador ou monarca, mas como um servo, nascendo em um ambiente humilde e trabalhando como um carpinteiro. Ao longo de seu ministério, Jesus continuou a demonstrar humildade, servindo aos outros e colocando suas necessidades acima das suas próprias. Ele lavou os pés de seus discípulos, um ato reservado normalmente para os servos mais baixos, e se relacionou com os marginalizados e os desprezados da sociedade, pessoas frequentemente ignoradas ou rejeitadas pelos poderosos e influentes.

Além disso, a grandeza de Cristo é revelada de maneira mais completa em sua morte. Na cruz, Ele expressou o amor e o sacrifício final, dando sua vida pela redenção da humanidade. Aqui, a humildade e o amor se entrelaçam em um ato supremo de grandeza. Cristo demonstrou que a verdadeira grandeza não é conquistada através da dominação ou do exercício de poder, mas pelo amor altruísta e pelo sacrifício em prol dos outros.

Portanto, a humildade de Cristo não é uma fraqueza, mas a manifestação mais pura de sua grandeza. Ele oferece um modelo de como o poder e a influência devem ser utilizados – não para o autoengrandecimento, mas para servir e elevar os outros. Esta abordagem vira de cabeça para baixo as estruturas de poder do mundo e apresenta um desafio para todos aqueles que buscam seguir seus passos. Em Cristo, aprendemos que a verdadeira grandeza é encontrada na humildade, no serviço e no amor sacrificial.

Hebreus 4:15-16: Esta passagem de Hebreus oferece uma visão profunda da natureza empática de Cristo. Ele é descrito não apenas como um sumo sacerdote, mas como alguém que compreende intimamente as fraquezas e lutas humanas. Diferente de figuras religiosas distantes ou inacessíveis, Jesus é retratado como alguém que compartilhou plenamente da experiência humana, enfrentando tentações e sofrimentos semelhantes aos nossos. No entanto, a diferença crucial é que Ele enfrentou essas provações sem pecar. Este aspecto de Jesus como um sumo sacerdote que compartilha de nossas experiências e fraquezas é vital. Ele não é um mediador remoto; Ele é alguém que conheceu a dor, o luto, a tentação e a rejeição. Esta compreensão direta das lutas humanas torna Jesus um intercessor perfeitamente equipado, capaz de se relacionar com nossas fraquezas e interceder por nós com compaixão e compreensão.

Em 2 Coríntios 8:9, Paulo reflete sobre a pobreza e riqueza de Cristo de uma maneira que desafia as noções convencionais desses termos. Ele observa que Jesus, sendo rico (referindo-se à sua divindade e glória celestial), escolheu se tornar pobre (referindo-se à sua encarnação e vida humilde na terra). Essa escolha não foi motivada por necessidade, mas por amor.

A riqueza mencionada aqui não é material, mas espiritual. Através da pobreza de Cristo, fomos agraciados com riquezas que transcendem o material: graça, amor e salvação. Essa inversão dos valores mundanos é um tema recorrente nas epístolas paulinas e em toda a narrativa do Novo Testamento. A riqueza espiritual oferecida por Cristo é acessível a todos, independentemente de seu status socioeconômico, e representa uma verdadeira transformação de vida.

Ambas as passagens, Hebreus 4:15-16 e 2 Coríntios 8:9, juntas, ilustram a humildade e grandeza de Cristo de maneiras complementares. Em Hebreus, vemos um sumo sacerdote empático e acessível, enquanto em 2 Coríntios, somos confrontados com a generosidade incomparável de Cristo, que se fez pobre para enriquecer a humanidade. Estas correlações bíblicas nos convidam a refletir sobre a natureza multifacetada de Cristo, abraçando tanto sua humildade quanto sua grandeza, e reconhecendo o profundo impacto espiritual de seu sacrifício e amor por nós.

Søren Kierkegaard, um influente filósofo e teólogo dinamarquês, dedicou-se a uma profunda exploração do papel da humildade na fé e na vida cristãs. Para Kierkegaard, a humildade é muito mais do que uma virtude moral; é uma postura existencial fundamental que redefine a compreensão de força, sucesso e poder.

Kierkegaard via na humildade de Cristo não apenas um exemplo a ser seguido, mas também um princípio teológico central. Para ele, a humildade de Cristo transcende a ideia de mera modéstia ou autoanulação. Ela representa uma força revolucionária, capaz de subverter as normas e valores do mundo. Em um contexto onde sucesso e poder são frequentemente medidos por conquistas, status e controle, a humildade de Cristo apresenta uma alternativa radical: a grandeza encontrada no serviço, no sacrifício e no amor desinteressado.

Em suas obras, Kierkegaard enfatizava que a humildade é a chave para a verdadeira liberdade. Longe de ser uma fraqueza, a humildade é a liberação da tirania do ego, das pressões da arrogância e do orgulho. Na humildade, segundo Kierkegaard, encontramos a liberdade de sermos nós mesmos diante de Deus, sem a necessidade de manter as aparências ou competir por status e reconhecimento.

Além disso, Kierkegaard argumentava que no ato de se esvaziar de si mesmo – um conceito que ele via refletido na vida e ministério de Cristo – o indivíduo encontra a verdadeira essência de sua identidade e seu propósito. Este autoesvaziamento não é uma negação do ser, mas uma abertura para a plenitude de uma vida centrada em Deus e nos outros. Ao abraçarmos a humildade, nos desprendemos das ilusões de autossuficiência e poder, e nos abrimos para um relacionamento mais profundo e autêntico com Deus.

Para Kierkegaard, portanto, a humildade é um caminho de autoconhecimento e descoberta espiritual. Ao seguir o exemplo de humildade de Cristo, somos convidados a repensar nossos valores e aspirações, buscando grandeza não na dominação ou no acúmulo de riquezas, mas no amor, no serviço e na entrega generosa de nós mesmos aos outros. Assim, a humildade se torna um portal para um relacionamento mais profundo e significativo com Deus e uma vida mais rica e autêntica.

Aplicações Práticas:

Buscar a Grandeza através do Serviço: Inspirados pelo exemplo de Cristo, somos chamados a encontrar a verdadeira grandeza no serviço aos outros. Isso implica colocar as necessidades dos outros acima das nossas, servindo com amor e compaixão, sem buscar reconhecimento ou recompensa.

Ser Empático e Solidário: A empatia é a habilidade de entender e compartilhar os sentimentos de outra pessoa. Ao ser empáticos, seguimos o exemplo de Cristo, que se identificou plenamente com as alegrias e dores humanas. A solidariedade nos move a agir em resposta às necessidades dos outros, não apenas com palavras, mas com ações concretas.

Assim, a humildade e grandeza de Cristo oferecem uma perspectiva transformadora sobre o significado da verdadeira grandeza. Neste entendimento, a grandeza é alcançada não pelo acúmulo de poder ou bens, mas pela disposição de servir, amar e se sacrificar pelos outros, seguindo o exemplo do maior líder que o mundo já conheceu: Jesus Cristo.

Conclusão:

Ao finalizar esta reflexão, ficamos com uma compreensão mais profunda da humildade de Cristo e sua conexão intrínseca com a verdadeira grandeza. As lições extraídas nos oferecem uma perspectiva transformadora sobre o que realmente significa ser grande aos olhos de Deus.

A humildade de Cristo, longe de ser uma fraqueza, revela-se como uma força sublime e poderosa. Ela nos desafia a reavaliar nossos conceitos de sucesso, poder e influência. Em um mundo que frequentemente glorifica o egoísmo e a autoexaltação, a humildade de Cristo nos convida a buscar um caminho diferente, um caminho de serviço, sacrifício e amor genuíno.

Que esta reflexão nos encoraje a adotar a humildade de Cristo em nossa própria vida, a reconhecer o valor nos pequenos gestos de bondade e serviço, e a entender que a grandeza verdadeira é encontrada não em ser servido, mas em servir. Ao incorporar esses princípios em nosso dia a dia, podemos não apenas transformar nossas próprias vidas, mas também impactar positivamente aqueles ao nosso redor.

Que a humildade de Cristo inspire cada um de nós a viver de maneira mais compassiva e altruísta, refletindo a luz do amor de Deus em um mundo que tanto necessita de esperança e orientação.

É formado em Teologia,  Análise e desenvolvimento de Sistemas e Licenciatura em Matemática. Especializado  em Marketing Digital, Produção audio visual para Web, tecnologias de aprendizagem a distância,  e Mestre em Teologia. Ministra cursos de capacitação profissional e treinamentos online em diversos segmentos. 

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