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Texto para Debate sobre A ESCATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO–(Curso de teologia do Antigo Testamento do Instituto Biblico Betel Brasileiro)

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Aula ministrada pelo Pr Josias Moura de Menezes no curso de Teologia Bíblica do Antigo Testamento.

Textos para debate sobre

a Escatologia do Antigo Testamento

Grupo 01: CRISTO, O ALVO ESCATOLÓGICO DO AT

A história da redenção é cristocêntrica. No Velho Testamento ela caminha linear e progressivamente na direção do Messias, objeto da esperança e da fé dos patriarcas e dos profetas. Os crentes do antigo Israel, firmados nos feitos de Javé, olhavam sempre para frente, para um Rei e um reino prometidos. Tal esperança alimentava-lhes a fé, sustentava-lhes a comunhão com Deus, mantinha-os firmes na luta, promovia-lhes a unidade. Os cristãos olham o passado para enxergarem o futuro. Sem a consciente e constante contemplação da manjedoura, símbolo da encarnação; da cruz erguida no Calvário, imagem do sacrifício vicário do Cordeiro; do túmulo vazio de Arimatéia, signo da ressurreição de Cristo, primícia da nossa; da mensagem apostólica, o Evangelho, estaremos privados dos elementos e das condições essenciais à visão adequada do reino porvir, para onde nos leva o Salvador e onde ele mesmo nos espera. Em Cristo, o redimido está no mais perfeito mirante, que lhe possibilita contemplar o pretérito no qual se firma, e visualizar o reino vindouro, para onde se destina. Quem se firma no que Cristo realizou, permanece no que realiza, e será partícipe do que realizará. Isso, porém, só é possível mediante a graça misericordiosa do Redentor. Para nós Cristo é o "Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim" ( Ap 22.13 ); morremos com ele na cruz; com ele ressuscitamos; com ele estamos em sua Igreja; com ele estaremos no reino escatológico.

PROFECIAS CUMPRIDAS

Que Cristo é o Messias esperado pelos judeus não há, segundo os registros sagrados, a menor dúvida. E, sendo assim, o reino messiânico foi instaurado por Jesus Cristo e está vigente em sua Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão. O Rei messiânico e seu reinado não é mais, para os regenerados, uma promessa, mas realidade. Cristo reina em nós e sobre nós decidida e decisivamente.

Algumas profecias literalmente cumpridas em Cristo: Is 7.14: "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel" ( Cf. Mt 1. 22,23). Mq. 5.2: "E tu, Belém Efrata, pequenina demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" ( Cf. Mt 2.5,6 ). Os 11.1; "Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho" ( Cf. Mt 2.14,15 ). Is 53.3: "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso ( Cf. Jo 1.11 ). Zc 9.9: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta" ( Cf. Mt. 21.4,5 ). Zc 11.12: "E eu lhes disse: Se vos parece bem, dai-me o meu salário; e se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário, trinta moedas de prata" ( Cf. Mt 26.15 ). Is 53.9: "Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca"( Cf. Mt 27.57-60 ). Sl l6.10: "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção"( Cf. At 2.24-32 ). Outros cumprimentos: Zc 12.10 cf. Jo 19.34. Sl 22.18 cf Mc. 15.24. Sl 34.20 cf Jo 19.33. Sl 68.18 cf At 1.9. Jl 2.28-32 cf At 2. 16-21.

Como se observou pelos exemplos tomados, dentre muitos, o fim escatológico do Velho Testamento é Jesus Cristo, o Messias da promessa, Senhor da Igreja, centro da História universal, sujeito e objeto da história da revelação. A humanidade velha ainda existe para os que fazem opção por ela, preferindo continuar com o primeiro Adão. A nova era, porém, é realidade para os regenerados, servos e filhos do segundo Adão, Jesus Cristo, centro da humanidade, tanto de justos como de injustos. Cristo triunfou sobre todas as forças do mal, sabemos disso; mas estas somente deporão as armas e se renderão no juízo final. Em síntese: A escatologia bíblica foi cumprida em Cristo; está sendo realizada nele; será nele consumada no último dia.

GRUPO 02: O CONCEITO DA MORTE NO AT

"E lhe deu uma ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" ( Gn 2. 16,17).

O primeiro homem, depois de convencido por Satanás de que a ordem divina limitava os poderes humanos, condicionava o homem à submissão irrestrita a um mandamento, colocando a criatura em plano inferior à do Criador, resolveu desobedecer, rompendo o pacto, na tentativa, segundo a proposta do maligno, de igualar-se a Deus.

O resultado foi desastroso. Como lhe havia sido previsto, o sofrimento e a morte entraram em sua vida e, por ela, na da humanidade inteira ( Cf Gn 3.16-19 ). A morte puniu o arquétipo transgressor em quem todos nós, essencial e originalmente, nos encontrávamos. Ficamos desprovidos da direção inteligente de um superior a nós. Perdemo-nos, egocentrizamo-nos, perecemos. Quem pode conhecer e dominar os mistérios do bem e do mal é somente o Criador, Senhor e Governador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, naturais e espirituais. Ao homem competia, conforme os postulados do pacto e dentro dos limites de sua humanidade, o honroso papel de servo. A penalidade da desobediência, segundo divina preconização de sentença, seria a morte. E efetivamente aconteceu, atingindo o espírito e o corpo, pois o homem foi criado por Deus como unidade "pneumossomática". E assim ele o quer de volta.

A MORTE ESPIRITUAL

A morte espiritual foi consequência imediata do rompimento do pacto de obras. O homem deixou de ser servo de Deus, com todo o seu ser voltado para o Criador, para ser escravo de si mesmo e vítima indefesa do tentador. O material dominou, em sua pessoa, o espiritual e ele morreu, isto é, separou-se do Criador, foi expulso do Jardim, formou uma civilização à sua moda, insubmissa, contra o governo divino. A rebeldia do ancestral humano não só se perpetuou nos seus descendentes, mas neles se ampliou, agravou-se, aprofundou-se. Cada um carrega o peso da queda humana ao qual soma a carga de suas próprias culpas. À decadência espiritual, expressa pela generalizada idolatria, somaram-se a miséria moral e os conflitos sociais. O pecado fez gerar uma sociedade competitiva na qual os fracos são vencidos e esmagados pelos fortes. Os mortos viraram fratricidas (herança caímica ), homicidas e suicidas. O aguilhão da morte fere o coração do ser humano e o transforma em matador potencial. O domínio da malignidade da morte sobre o indivíduo e as nações é um fato inegável. Comprovam-no as numerosas penitenciárias e também as guerras localizadas e gerais, vitimadoras de milhões de guerreiros, de gente pacífica, de indefesos e de inocentes. O mundo, posto no maligno pelo pecado, está espiritualmente morto, sendo, em consequência, agenciador da morte.

A MORTE FÍSICA

A morte física não eliminou o homem imediatamente após o ato pecaminoso da desobediência, mas passou a fazer parte de sua natureza. Quando nascemos, começamos a viver e a morrer concomitantemente. Todos somos pecadores e estamos morrendo; e o nosso fim se aproxima, "porque o salário do pecado é a morte" ( Rm 6.23 ).

Os animais e os vegetais, certamente, não foram colocados na terra para viverem eternamente, mas a mortalidade não fazia parte do homem antes da queda. Ele foi criado à semelhança de seu Criador, recebeu dele o fôlego de vida, o espírito ( Gn 2.7). Como Deus é imortal, "sua imagem" na terra deveria ser. A criação do homem, pois, foi diferenciada, e muito, da criação dos outros seres viventes. Não sabemos como era o seu corpo e as reais funções do alimento no seu organismo. Somos informados, no entanto, que o pecado o corrompeu, trazendo-lhe sofrimentos e morte. Semelhantemente, ignoramos completamente as razões e os efeitos da alimentação no corpo ressurreto do Segundo Adão, Jesus Cristo ( Lc 24.41,42 ). Não cremos, pois, como afirmam alguns, que a morte já estava presente na vida de Adão e Eva antes do pecado. O ser humano foi criado muito superior aos demais seres vivos, posto que dotado de dupla dimensão, material e espiritual, e revestido de incorruptibilidade, pois nele não havia pecado. A morte causa a separação entre o corpo e a alma, mas não definitivamente. Pela misericórdia de Deus, mediante a ressurreição, sua unidade será restaurada, e assim viverá eternamente. Os redimidos não devem temer a morte ( Sl 116.15; Lc 23.43; Jo 14.2; Fp. 1.21-23; II Co 5.8; I Co 15.54-57 ).

GRUPO 03: IM O R T A L I D A D E

O homem foi criado imortal, uma unidade vital indivisível, corpo e espírito, "pneumossoma". A Bíblia desconhece a dicotomia grega de um homem composto de elementos distintos e conflitantes, um transcendente, puro, nobre, espiritual e imortal, a alma ( psychê ), e outro impuro, indigno, corrupto e mortal, o corpo (soma, sarx ). A dignidade, a santidade e a imortalidade são dádivas do Criador ao homem integral, um ser psicossomático. Assim ele foi criado: "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" ( Gn 1.26a ). A sua condição de superioridade é evidente: "Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra" ( Gn 1.26b ). O homem, pois, foi criado para ser servo do Criador, semelhante a ele, e senhor da criação. O pecado interrompeu a unidade, a essencialidade e a idealidade do homem.

A morte devolve o seu corpo ao pó, mas não tem poder de retê-lo eternamente ali; e o Espírito volta a Deus, ficando nele preservado para o dia da ressurreição, pois o ideal, conforme os propósitos divinos na criação, não é um homem eternizado sem corpo, mas como realmente Deus o fez e o quer no paraíso: Um ser "pneumossomático". Portanto, a eternidade fica garantida tanto ao corpo, que sofre morte temporária, como à alma, ambos dignos e nobres. Cristo, o nosso protótipo, está com seu corpo ressurreto, ser humano perfeito, à destra do Pai no trono celeste. O fato de o nosso corpo voltar ao pó de onde viera, pelo processo de decomposição, não elimina a esperança de sua restauração pelo poder de Deus mediante a ressurreição. A destruição física causada pela morte não é definitiva. O homem da humanidade caída, no qual a imagem do Criador está desfigurada, restabelece-se na humanidade redimida em Cristo Jesus, o último Adão: "Porquanto, aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho" ( Rm 8.29a). "Somos transformados de glória em glória na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" ( II Co 3.18b cf Cl 3.10; Hb 2.5-10).

A importância do corpo

"Então formou o Senhor Deus ( Javé Elohim ) ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida ( Ruach, Pneuma ) e o homem passou a ser "alma vivente", "Nephesh hayyâ" ( Gn 2.7).

Duas coisas devem ser observadas:

01- Deus, pessoalmente, como insuperável artífice, de matéria inadequada à escultura, formou o corpo do homem. Sendo uma obra de arte do Criador, seu valor é inestimável; deve ser preservado, conservado, admirado e engrandecido.

02- Deus vitalizou o homem com seu hálito, "Ruach", e, em decorrência dessa vitalização, ele passou a ser "nephesh hayyâ", ser vivente. O animal também é um ser vivente ( nephesh hayyâ ), mas a sua vida procede de uma ordenação de Deus à natureza: "Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: Animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez" (Gn 1.24). A vida do homem, portanto, procede do espírito, um dom de Deus. Ele não é "nephesh hayyâ" como os animais, pois a eles é muitíssimo superior, obra prima da criação, "imago Dei".

O novo homem, restaurado por Jesus Cristo, tem seu corpo eminentemente valorizado e nobilitado, pois foi transformado em templo do Espírito Santo ( I Co 6. l9 ), habitação de Deus. A ênfase do Novo Testamento não está na defesa de uma alma imortal independentemente do corpo, embora esta seja a realidade provisória do estado intermediário, mas na doutrina da ressurreição pela qual o nosso corpo mortal se revestirá de imortalidade ( I Co 15 ): "Porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista de imortalidade" ( I Co 15.53 cf 15.42 -54; I Ts 4.13-18 ). O homem, pois, é uma unidade, corpo-alma, "pneumossoma"; assim se expressa na terra e se expressará no céu, eternamente, com seu corpo ressurreto, à semelhança de seu Senhor. O nosso protótipo é Jesus Cristo que, ressurreto, está à destra do Pai com seu corpo humano incorruptível.

A imortalidade, preservada no espírito humano durante o estado intermediário, não é própria do homem e, muito menos, inerente à sua alma, não imortal em si mesma: Vem de Deus, o único ser incriado, Criador, doador da vida, original e essencialmente imortal ( I Tm 6.15,16 ). Todos os demais seres foram criados, inclusive os anjos.

GRUPO 04: O ESTADO INTERMEDIARIO

E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu ( "Ec 12.7 ).

O chamado "estado intermediário" é o que abrange o período entre a morte e a ressurreição. O corpo volta a incorporar-se à matéria e a alma ( espírito ) é retomada por Deus, em se tratando de redimido, e fica sem sofrimento, mas também sem a plena realização, visto perder sua idealidade de ser humano completo, corpo-alma. Estar com Deus é estar no céu.

O ímpio, ao morrer, seu corpo toma o mesmo destino, temporariamente, do corpo do justo, isto é, experimenta a corrupção, mas sua alma vai para o hades onde, já em considerável situação de angústia, espera a ressurreição, que lhe agravará muitíssimo a condição, posto que, no corpo, sofrerá eternamente na geena ou lago de fogo.

Na linguagem apocalíptica o inferno, habitação dos réprobos, e a morte, serão ambos, no juízo final, lançados na geena: "Então a morte ( thánatos ) e o inferno ( hades ) foram lançados para dentro do lago de fogo ( Ap 20: 14a, 15 cf Mt 25.41-46 ). Hades é um lugar de onde os mortos ficam temporariamente aguardando o destino final. Ali, as almas dos reprovados ficam aprisionadas em sofrimentos prévios e relativos, aguardando o pior que está para vir, a geena ( gehenna ), habitação eterna de Satanás e suas hostes, dos perdidos e da morte, que é vida desqualificada, desprovida de virtudes, de esperança, de amor, de fé, de conforto e da presença de Deus. Na geena não haverá consolo e esperança, prevalecendo intensíssimo pranto e ranger de dentes ( Mt 5.22; 8.12,29; 10.28; 13.42,,50; 18.9; 22.13; 23. 15,33; 24.51; 25.30,41,46; Mc 9.43, 45, 47,48; Lc 13.28; Ap 19.20; 20.10,14,15 ).

Hades, como se notou, é a prisão, no estado intermediário, das almas dos que morreram sem Cristo. Em outra parte do Hades estão aqueles que morreram salvos. Eles estão no seio de Abraão.

Geena, por outro lado, será o estado final e eterno dos que se encontram no hades e dos perdidos que estiverem vivos na volta do Cordeiro. A palavra geena ( gehenna ), usada para denotar, metaforicamente, os tormentos eternos imitigáveis e inconsoláveis do ímpio ressurreto, depois do juízo final, vem de "gê hinnon", terra de Hinom, nome de um vale ao sul de Jerusalém, também denominado "Vale dos filhos de Hinon" ( II Cr 28.3; II Rs 23.10 ). Nesse vale ergueram-se, num local chamado Tofete, altares a Baal e a Moloque a quem se ofereciam crianças em sacrifício ( II Rs 16.3; 21.6 ). Tais práticas idolátricas foram condenadas veementemente por Josias ( II Rs 23.10 ); e Jeremias profetizou que o Vale se tornaria o local do juízo de Deus ( Jr 7.32; 19.6 ).

O ESTADO INTERMEDIÁRIO NO VELHO TESTAMENTO

O conceito de separação de alma e corpo como causa imediata da morte desenvolveu-se progressivamente no Velho Testamento. No início, acreditava-se que todos os mortos iam para o Sheol, um local subterrâneo, escuro, onde Deus não é lembrado ( Jó. 10.21,22; 26.5; Sl 6.5; 30.9; Sl 85.5,11; 155.17; Pv 1.12; 27.20; Is 5.14 ). Tinha-se por certo que no sheol não se prestava culto a Javé ( Sl 88.11; Is 38.18 ) por causa, certamente, da impureza cerimonial dos mortos. O isolamento do morto era um tipo de morte, caracterizada pelo afastamento de Deus, pela alienação da criatura em relação ao seu Criador.

ESTADO INTERMEDIARIO NO NOVO TESTAMENTO

O Velho Testamento já contém um embrião da escatologia neotestamentária, onde há, embora ainda muito vaga, uma esperança de sobrevivência no estado intermediário, o que provocou pronunciamentos esparsos sobre a ressurreição dos mortos ( Jó 14.13-22; 19.25-27; Sl 49. 15; Dn 12.2 ). No Novo Testamento a morte deixa de ser, para os justos, um estado de abandono e esquecimento, pois o Senhor da vida lembra-se deles e há de fazê-los voltar à existência plena. A ressurreição de Cristo ( Hb 2.14; 7.16 ) aprofundou e definiu a doutrina escatológica da sobrevivência no estado intermediário: "Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu; para ser Senhor tanto de mortos como de vivos"( Rm 14.9 ).

O hades, perdeu completamente o poder sobre a Igreja ( Mt 16.18,19; I Pe 3.18-20; 4.6; Ap 1.18). Os que morrem em Cristo passam, imediatamente, a viver com ele no seio de Abraão ( Fp 1.23; II Co 5.2-8; Lc 23.43; 16.22-31 ), mesmo sem a idealidade final, quando suas almas reunirem-se aos seus corpos incorruptíveis.

Quem passa à eternidade sem o Salvador vai, incontinentemente, para o hades, a ali ficará num lugar separado dos justos. Ali, em padecimentos relativos, espera o juízo final, quando, reincorporado, será mandado, pelo Justo Juiz, para a geena, local do sofrimento máximo do físico e da alma.

GRUPO 05: O CONCEITO DA RESSURREIÇÃO NO AT

A ressurreição geral de todos, e em particular a dos santos, já estava delineada no Velho Testamento como extensão da doutrina da sobrevivência do homem depois da morte. Deus, pela sua inquestionável soberania, traria os seus eleitos de volta à existência.

Eis alguns textos que sinalizam ou evidenciam a fé vetotestamentária na ressurreição:

a- "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente"( Sl 16.10,11 ). Embora se aplique a Jesus Cristo ( At 13.35 ), este texto estabelece o princípio da ressurreição.

b- "A sepultura é o lugar em que habitam, mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si"( Sl 49.14b,15 cf 73.24 ). Aqui, se não se clareia a ressurreição, pelo menos deixa assentado que o poder do sheol não é permanente sobre os eleitos.

c- "Vede agora que eu sou, eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver, eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão" ( Dt 32.39 ). O mesmo se lê em I Samuel 2.6: "O Senhor é que tira a vida, e a dá; faz descer á sepultura ( ao sheol ), e faz subir". Deus é Senhor da saúde e da doença, da vida e da morte; ele faz descer ao sheol, mas pode retirar de lá os seus escolhidos.

d- "Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus" ( Ex 3.6 ). Jesus, respondendo aos saduceus, negadores radicais da ressurreição, interpreta assim o presente versículo: "E quanto à ressurreição dos mortos o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e, sim, de vivos" ( Mt 22.31,32 cf Mc 12.26,27; Lc 20.37,38 ). Os patriarcas e todos os eleitos do velho pacto estão vivos e, segundo a promessa, hão de ressurgir.

e- "Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e a ligará. Depois de dois dias nos revigorará; ao terceiro dia nos levantará, e viveremos diante dele" ( Os 6.1,2 ). A expressão, "ao terceiro dia", significa: No tempo oportuno, preordenado. Segundo os planos de Deus, Israel seria reconduzido definitivamente à fé. Tal recondução é aplicada a Jesus Cristo que, por sua morte e ressurreição ao terceiro dia, tem reconciliado os homens com Deus.

f- "Eu os remirei do poder do inferno, e os resgatarei da morte: Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição?" ( Os 13.14 ). Paulo cita livremente estas palavras, aplicando-as à vitória final de Cristo sobre a morte: " E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte o teu aguilhão?" ( I Co 15.54,55 ). O versículo 54 é uma citação parafraseada de Isaias ( Is 25.8 ).

g- "Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos" ( Is 26.19 ). A esperança na ressurreição aqui se configura tanto quanto na visão ezequiélica dos ossos secos ( Ez 37.4,7-14 ).

h- "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno" ( Dn 12.2 ). Chegamos, finalmente, ao texto vetotestamentário mais incisivo e mais convincente sobre a ressurreição geral dos mortos, inclusive com a afirmação de que a ressurreição tem por finalidade dar destinação final aos justos, a vida eterna, e aos ímpios, o castigo eterno. E tal separação ou juízo acontecerá imediatamente após a ressurreição, sem previsão de qualquer intervalo. Antes, porém, do dia em que todos os mortos hão ressurgir, haverá um tempo precedente de angústias terríveis, quando o Anjo Miguel aparecerá para guiar o povo de Deus. Aqueles cujos nomes estiverem registrados no rol de Deus serão salvos ( Dn 12.1 ). Daniel escreveu sob o pano de fundo do período macabaico, época em que renascia forte, entre os fariseus, a crença na ressurreição.

O Velho Testamento contém, sem sombra de dúvida, a doutrina da ressurreição geral e final de todos os mortos. Os justos levantar-se-ão para a glória eterna; os injustos, para sofrimentos intermináveis na geena.

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“Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos dará; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” Lucas 6:38

SOBRE O AUTOR:
Josias Moura de Menezes

É formado em Teologia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Licenciatura em Matemática. É especialista em Marketing Digital, Produção Audiovisual para Web, Tecnologias de Aprendizagem a Distância, Inteligência Artificial, Jornalismo Digital e possui Mestrado em Teologia. Atua ministrando cursos de capacitação profissional e treinamentos online em diversas áreas. Para mais informações sobre o autor <clique aqui>.

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